Tabela progressiva ou regressiva na previdência, qual escolher
Tabela progressiva ou regressiva na previdência? Entenda como cada uma cobra IR, quando a escolha pode ser feita e veja um exemplo em reais para decidir.
10 min de leitura
PGBL ou VGBL? Veja a diferença, como funciona a dedução de 12% no imposto de renda, quando cada plano faz sentido e um exemplo em reais do IR no resgate.
Equipe TobboAtualizado em 9 min de leitura

O PGBL costuma fazer sentido para quem faz a declaração completa do IR e contribui para o INSS, porque permite deduzir até 12% da renda bruta tributável, mas o imposto no resgate incide sobre o valor total. O VGBL não deduz nada e cobra IR só sobre os rendimentos, servindo melhor para a declaração simplificada.
Chega o fim do ano e alguém do banco liga oferecendo previdência privada "para pagar menos imposto". Você pergunta se é PGBL ou VGBL e a resposta vem cheia de siglas. No fim, muita gente contrata o plano errado, ou contrata o certo pelo motivo errado, e só descobre no resgate.
A escolha entre PGBL e VGBL não depende de qual é "melhor" em geral. Depende de como você declara o imposto de renda, de quanto ganha e do que vai fazer com o dinheiro que deixar de pagar ao Leão. E existe um ponto que quase nunca é explicado direito: o PGBL não elimina imposto, ele adia.
Neste guia você vai entender a diferença entre os dois planos, como funciona a dedução de 12%, ver um exemplo completo em reais e saber quais armadilhas evitar antes de assinar qualquer proposta.
Os dois são planos de previdência privada aberta, vendidos por seguradoras e entidades autorizadas e fiscalizados pela Susep. Na fase de acumulação, você faz aportes que são aplicados em fundos escolhidos dentro do plano. Na fase de uso, pode resgatar ou transformar o saldo em renda.
Pontos em comum:
A diferença está em um ponto só: como o imposto de renda trata o dinheiro na entrada e na saída.
| Característica | PGBL | VGBL |
|---|---|---|
| Dedução no IR | Até 12% da renda bruta tributável anual | Nenhuma |
| Quem aproveita a dedução | Quem faz declaração completa e contribui para INSS ou regime próprio | Não se aplica |
| Base do IR no resgate | Valor total (aportes + rendimentos) | Só os rendimentos |
| Para quem costuma servir | Declaração completa, aportes até 12% da renda | Declaração simplificada, isentos ou quem já usou os 12% |
| Natureza | Plano de previdência | Seguro de pessoas com cobertura por sobrevivência |
Na declaração completa, as contribuições ao PGBL reduzem a base de cálculo do imposto, até o limite de 12% da renda bruta tributável do ano. Renda tributável inclui salário, pró-labore, aluguéis recebidos e outros rendimentos tributáveis na declaração. Não inclui rendimentos isentos nem os de tributação exclusiva, como o 13º salário e aplicações de renda fixa.
Três condições precisam estar presentes:
O quanto você economiza depende da sua alíquota marginal, a da faixa mais alta da tabela que atinge sua renda. Quem está na faixa de 27,5% deixa de pagar até 27,5 centavos para cada real deduzido. Quem está numa faixa menor economiza menos.
Vale lembrar a reforma da renda: segundo a Lei 15.270/2025, a partir de janeiro de 2026 quem ganha até R$ 5 mil por mês fica isento de IR, com redução parcial até cerca de R$ 7.350. Quem passou a não pagar imposto não tem o que deduzir, e o PGBL perde a vantagem fiscal. Confira os detalhes na Receita Federal e no artigo sobre como funciona o imposto de renda da pessoa física.
Mariana tem renda bruta tributável de R$ 120.000 por ano (R$ 10.000 por mês), faz a declaração completa e contribui para o INSS. Suponha que, mesmo após as deduções, a parcela deduzida esteja inteira na faixa de 27,5%.
O limite de 12% é 0,12 × 120.000 = R$ 14.400. Ela aplica esse valor de uma vez, no fim do ano. Na declaração seguinte, o imposto cai cerca de 0,275 × 14.400 = R$ 3.960, que voltam como restituição maior ou imposto a pagar menor.
Agora vamos supor que o dinheiro rende uma taxa hipotética de 8% ao ano, líquida de taxas, por 12 anos, e que ela escolheu a tabela regressiva, chegando à alíquota de 10% por ter mais de 10 anos de acumulação.
| Cenário | Base do IR no resgate | IR (10%) | Líquido no resgate |
|---|---|---|---|
| PGBL | R$ 36.261,65 (total) | R$ 3.626,16 | R$ 32.635,48 |
| VGBL | R$ 21.861,65 (só rendimento) | R$ 2.186,16 | R$ 34.075,48 |
Olhando só essa tabela, o VGBL parece melhor: R$ 1.440 a mais. Essa diferença é exatamente 10% dos R$ 14.400 aportados, que no PGBL são tributados no resgate. Mas falta uma peça: os R$ 3.960 que Mariana deixou de pagar lá no começo.
Se Mariana reinvestir os R$ 3.960, por exemplo numa aplicação de renda fixa à mesma taxa hipotética de 8% ao ano por 11 anos (ela recebe a restituição no ano seguinte), com IR de 15% sobre o rendimento:
Somando: R$ 32.635,48 + R$ 8.442,30 = R$ 41.077,78 no caminho do PGBL, contra R$ 34.075,48 no VGBL. Uma diferença de cerca de R$ 7.000 a favor do PGBL.
Se Mariana gastar a restituição, o PGBL termina R$ 1.440 atrás do VGBL. Ela teve R$ 3.960 a mais no bolso lá no início, mas o patrimônio para a aposentadoria fica menor.
Repare de onde vem o ganho. Mariana deixou de pagar 27,5% sobre R$ 14.400 no começo e pagou 10% sobre esse mesmo valor no fim. Existem dois efeitos:
Se no resgate ela pagasse os mesmos 27,5%, por exemplo pela tabela progressiva com uma renda alta na aposentadoria, devolveria praticamente todo o imposto adiado. Sobraria só o ganho de ter usado esse dinheiro por anos. Por isso, a escolha entre as tabelas é parte da decisão. Entenda em tabela progressiva ou regressiva na previdência.
PGBL costuma fazer sentido para:
VGBL costuma fazer sentido para:
Um casal pode ter estratégias diferentes: quem tem salário alto e declaração completa usa PGBL até os 12%; o outro, se declara no modelo simplificado, usa VGBL. Muita gente combina os dois: PGBL até o limite e VGBL para o restante.
Para saber quanto precisa juntar ao todo, e não só em previdência, veja quanto juntar para se aposentar.
O Tobbo reúne, na tela de Economias, o que você tem guardado em reserva, investimentos e aposentadoria nos bancos conectados pelo Open Finance, com um valor ideal sugerido a partir do seu histórico. Isso ajuda a ver se os aportes de previdência estão acontecendo e quanto falta para o objetivo. O Tobbo não é consultoria de investimentos nem escolhe plano por você; a decisão entre PGBL e VGBL depende da sua declaração, e vale conferir com um profissional de confiança se houver dúvida.
A diferença está no imposto de renda. O PGBL permite deduzir os aportes da base de cálculo do IR, até 12% da renda bruta tributável, para quem faz a declaração completa, mas no resgate o imposto incide sobre o valor total acumulado. O VGBL não permite dedução, e no resgate o imposto incide apenas sobre os rendimentos.
Em geral, não. Na declaração simplificada, o desconto padrão de 20% substitui todas as deduções, então os aportes no PGBL não reduzem o imposto. Mesmo assim, no resgate, o IR incidirá sobre o valor total, incluindo o que você aportou. Para quem declara no modelo simplificado, o VGBL costuma ser mais adequado, porque tributa só os rendimentos.
Até 12% da renda bruta tributável do ano, desde que você faça a declaração completa e contribua para o INSS ou regime próprio. Com renda tributável de R$ 120 mil por ano, o limite é de R$ 14.400. A economia real depende da sua alíquota marginal: na faixa de 27,5%, deduzir R$ 14.400 reduz o imposto em cerca de R$ 3.960.
Não. O PGBL adia o imposto. Você deixa de pagar IR sobre os aportes no ano da contribuição, mas paga sobre o valor total no resgate. O ganho vem de dois efeitos: o dinheiro do imposto rende para você durante anos e, se a alíquota no resgate for menor, como os 10% da tabela regressiva após 10 anos, parte do imposto deixa de existir.
Sim. Uma estratégia comum para quem faz a declaração completa é aportar no PGBL até o limite de 12% da renda bruta tributável e colocar o que passar disso em um VGBL. Assim você aproveita a dedução sem pagar IR sobre o valor total em aportes que não seriam dedutíveis. Os dois podem ter tabelas de IR diferentes.
Não. Planos de previdência privada não têm cobertura do FGC. Eles são fiscalizados pela Susep e os recursos ficam em fundos separados do patrimônio da seguradora, mas o resultado depende dos ativos em que o fundo investe. Por isso, vale olhar a solidez da instituição, a política de investimento do fundo e as taxas cobradas.
Equipe Tobbo
Revisão: Equipe editorial do Tobbo Finanças
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Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento nem consultoria individual. Regras, taxas e limites mudam: confira sempre a fonte oficial antes de decidir.
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