PGBL ou VGBL, qual previdência privada escolher
PGBL ou VGBL? Veja a diferença, como funciona a dedução de 12% no imposto de renda, quando cada plano faz sentido e um exemplo em reais do IR no resgate.
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Tabela progressiva ou regressiva na previdência? Entenda como cada uma cobra IR, quando a escolha pode ser feita e veja um exemplo em reais para decidir.
Equipe TobboAtualizado em 10 min de leitura

A tabela regressiva costuma valer mais para quem vai deixar o dinheiro aplicado por muitos anos, porque a alíquota cai até 10% após 10 anos e é definitiva. A progressiva tende a ser melhor para quem terá renda tributável baixa no resgate ou pode precisar do dinheiro cedo. Desde a Lei 14.803/2024, a escolha pode esperar até o primeiro resgate.
Você abriu um plano de previdência e o formulário perguntou: tabela progressiva ou regressiva? Quase ninguém sabe responder na hora. O gerente sugere uma, o simulador do banco mostra outra, e a decisão fica com cara de aposta.
A boa notícia é que essa escolha tem lógica. Ela depende de duas perguntas: por quanto tempo o dinheiro vai ficar aplicado e quanto você deve ganhar de renda tributável quando for resgatar. E desde 2024 existe uma folga importante: você não precisa decidir no dia da contratação.
Neste guia você vai entender como cada tabela cobra o imposto, ver um exemplo com números, conhecer os perfis em que cada uma costuma fazer mais sentido e saber quais erros evitar.
As duas tabelas definem como o imposto de renda incide quando você tira dinheiro do plano, seja num resgate, seja recebendo uma renda mensal. Elas valem tanto para PGBL quanto para VGBL. O que muda entre os planos é a base do imposto: no PGBL, o IR incide sobre o valor total resgatado; no VGBL, só sobre os rendimentos. Se essa diferença ainda não está clara, vale ler antes o guia sobre PGBL ou VGBL.
A tabela, por sua vez, define a alíquota.
| Tempo de cada aporte no plano | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 2 anos | 35% |
| De 2 a 4 anos | 30% |
| De 4 a 6 anos | 25% |
| De 6 a 8 anos | 20% |
| De 8 a 10 anos | 15% |
| Acima de 10 anos | 10% |
Dois detalhes que quase ninguém explica:
Repare que essa tabela é diferente da regressiva da renda fixa, que vai de 22,5% a 15%. Se quiser comparar, veja o guia sobre imposto de renda na renda fixa. Na previdência, ficar pouco tempo custa caro (35%), mas ficar muito tempo leva à menor alíquota do mercado para esse tipo de produto (10%).
Na progressiva, há duas situações diferentes:
A tabela mensal do IR muda de tempos em tempos. Desde janeiro de 2026, segundo a Lei 15.270/2025, há isenção para quem ganha até R$ 5 mil por mês e redução parcial em uma faixa acima disso. Não vamos reproduzir as faixas aqui porque elas podem mudar; confira os valores vigentes no site da Receita Federal.
Uma vantagem pouco lembrada: quem tem 65 anos ou mais conta com uma parcela isenta adicional sobre rendimentos de aposentadoria. Se e como ela se aplica ao seu plano depende do tipo de produto e das regras da Receita, então confirme antes de decidir.
Até 2023, a regra era decidir no momento da contratação. Muita gente escolhia sem entender e ficava presa à decisão.
Com a Lei 14.803/2024, a escolha pode ser feita até o primeiro resgate ou o primeiro recebimento de benefício. Na prática:
Vamos a um exemplo hipotético. Ana tem um VGBL com saldo de R$ 200.000, sendo R$ 120.000 de aportes e R$ 80.000 de rendimentos. Todos os aportes estão no plano há mais de 10 anos. Ela vai resgatar tudo.
Como é VGBL, o IR incide só sobre os R$ 80.000 de rendimentos.
Na regressiva: 10% de R$ 80.000 = R$ 8.000. Ponto final, sem ajuste.
Na progressiva: a seguradora retém 15% de R$ 80.000 = R$ 12.000 na fonte. Na declaração do ano seguinte, os R$ 80.000 entram como rendimento tributável, somados ao resto da renda da Ana. O imposto final depende de quanto esse rendimento extra efetivamente paga no ajuste. Veja alguns cenários:
| Imposto efetivo sobre o rendimento no ajuste | IR final | Diferença em relação aos R$ 12.000 retidos | Comparação com a regressiva (R$ 8.000) |
|---|---|---|---|
| 0% (renda total na faixa isenta) | R$ 0 | Restitui R$ 12.000 | Progressiva economiza R$ 8.000 |
| 5% | R$ 4.000 | Restitui R$ 8.000 | Progressiva economiza R$ 4.000 |
| 10% | R$ 8.000 | Restitui R$ 4.000 | Empate |
| 15% | R$ 12.000 | Sem ajuste | Regressiva economiza R$ 4.000 |
| 20% | R$ 16.000 | Paga mais R$ 4.000 | Regressiva economiza R$ 8.000 |
O ponto de equilíbrio, neste caso, é quando o rendimento paga 10% no ajuste. Abaixo disso, a progressiva ganha. Acima, a regressiva ganha.
Agora mude uma coisa: suponha que metade dos rendimentos (R$ 40.000) viesse de aportes com mais de 10 anos e a outra metade de aportes com menos de 2 anos. Na regressiva, o imposto seria 10% de R$ 40.000 (R$ 4.000) mais 35% de R$ 40.000 (R$ 14.000), total de R$ 18.000. A regressiva, que parecia imbatível, passa a perder para a progressiva em quase todos os cenários da tabela acima. O tempo de cada aporte muda tudo.
Atenção também ao efeito de um resgate grande de uma vez na progressiva: somar R$ 80.000 à renda de um único ano pode empurrar a pessoa para faixas mais altas. Resgatar em parcelas ao longo de vários anos costuma reduzir o imposto efetivo.
| Perfil | Tendência | Por quê |
|---|---|---|
| Vai deixar o dinheiro mais de 10 anos e terá renda tributável média ou alta | Regressiva | Alíquota de 10%, definitiva, sem se somar ao resto da renda |
| Espera ter renda baixa ou isenta na aposentadoria | Progressiva | O ajuste anual pode devolver boa parte dos 15% retidos |
| Pode precisar do dinheiro em menos de 4 anos | Progressiva | Na regressiva, pagaria 30% ou 35% |
| Usa o plano para sucessão (beneficiários) | Depende | Avalie o prazo provável e a renda de quem vai receber |
| Ainda não sabe | Adie a escolha | A Lei 14.803/2024 permite decidir até o primeiro resgate |
Alguns casos práticos:
O Tobbo não escolhe a tabela por você, nem é consultoria de investimentos. Mas ele ajuda a organizar a informação de que você precisa:
Na progressiva, o IR segue as faixas da tabela mensal, como num salário, e o valor passa pelo ajuste da declaração anual, com retenção de 15% nos resgates. Na regressiva, a alíquota depende só do tempo de cada aporte, caindo de 35% (até 2 anos) para 10% (acima de 10 anos), e o imposto retido na fonte é definitivo, sem ajuste posterior.
Desde a Lei 14.803/2024, a escolha entre progressiva e regressiva pode ser feita até o primeiro resgate ou o primeiro recebimento de benefício. Quem tem plano na progressiva em geral ainda pode optar pela regressiva antes de resgatar, mas a volta da regressiva para a progressiva normalmente não é permitida. Confirme as condições com a sua seguradora antes de pedir a mudança.
Em geral, não. Na regressiva, aportes com até 2 anos pagam 35% de IR e aportes entre 2 e 4 anos pagam 30%. Para prazos curtos, a progressiva costuma sair mais barata, porque o imposto final é calculado pelas faixas da tabela mensal no ajuste anual. Para dinheiro que pode ser necessário logo, previdência raramente é o melhor lugar.
Não. Os 15% são uma antecipação retida pela seguradora no resgate. Na declaração anual, o rendimento é somado aos seus outros rendimentos tributáveis e o imposto é recalculado. Se a sua renda total for baixa, parte ou todo o valor pode voltar na restituição. Se for alta, você pode ter de pagar a diferença no ajuste.
Cada aporte tem o próprio prazo, contado a partir da data em que foi feito, e não da abertura do plano. Nos resgates, saem primeiro os aportes mais antigos. Por isso, um plano antigo pode ter parte do saldo na alíquota de 10% e parte, recém-depositada, ainda na de 35%. Peça o extrato por aporte para simular.
A lógica é a mesma, mas o impacto é maior no PGBL, porque o imposto incide sobre o valor total resgatado, não só sobre os rendimentos. Quem pretende deixar o dinheiro mais de 10 anos e terá renda tributável média ou alta costuma se beneficiar da regressiva. Quem espera renda baixa no resgate deve simular a progressiva antes de decidir.
Equipe Tobbo
Revisão: Equipe editorial do Tobbo Finanças
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Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento nem consultoria individual. Regras, taxas e limites mudam: confira sempre a fonte oficial antes de decidir.
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