O que é CDB e como funciona: rendimento, imposto e riscos
Entenda o que é CDB, como funciona o rendimento pós, pré e IPCA+, quanto de imposto você paga, o papel do FGC e como escolher a liquidez certa.
9 min de leitura
Entenda como funciona o FGC, o limite de R$ 250 mil por CPF e instituição, o teto de R$ 1 milhão, o que é coberto e como distribuir seus investimentos.
Equipe TobboAtualizado em 9 min de leitura

O FGC, Fundo Garantidor de Créditos, é uma entidade privada mantida pelos bancos que devolve ao cliente até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado, se ela quebrar ou sofrer intervenção. Cobre poupança, conta corrente, CDB, LCI e LCA, com teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos.
"É coberto pelo FGC" virou quase um selo de confiança nos apps de investimento. Você vê a frase ao lado de CDBs com taxas atraentes, em caixinhas de bancos digitais e em ofertas de LCI e LCA. Mas o que exatamente isso garante? Quanto você receberia se o banco quebrasse, em quanto tempo e em quais situações a garantia não vale?
Entender o FGC muda a forma como você distribui o dinheiro. Muita gente acha que cada banco tem um limite separado, quando na verdade bancos do mesmo grupo dividem o mesmo teto. Outros esquecem que o rendimento também conta, e que uma aplicação de R$ 240 mil pode passar do limite em poucos anos.
Neste guia você vai ver o que é o FGC, o que ele cobre e o que fica de fora, como funcionam os limites por instituição e o teto global, exemplos práticos em reais com casais e contas conjuntas e um passo a passo para organizar seus investimentos dentro da garantia.
O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade civil privada, sem fins lucrativos, criada em 1995. Ele é mantido por contribuições mensais das próprias instituições financeiras associadas, como bancos, caixas econômicas e financeiras. O funcionamento segue regras aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional e acompanhadas pelo Banco Central.
O objetivo é duplo: proteger o pequeno e médio investidor e evitar que a quebra de uma instituição gere uma corrida bancária que contamine o sistema todo. Quando o Banco Central decreta intervenção ou liquidação extrajudicial de uma instituição associada, o FGC entra para pagar os clientes dentro dos limites.
Importante: o FGC não é do governo. Ele não usa dinheiro público. A força da garantia vem do patrimônio formado pelas contribuições do próprio sistema financeiro. Cooperativas de crédito têm um fundo próprio, o FGCoop, com lógica parecida.
A garantia vale para produtos de captação das instituições associadas, aqueles em que você é credor direto do banco.
| Produto | Coberto pelo FGC? | Observação |
|---|---|---|
| Conta corrente (depósito à vista) | Sim | Saldo em conta de banco associado |
| Poupança | Sim | Também isenta de IR para pessoa física |
| CDB e RDB | Sim | Inclusive os usados em caixinhas, quando são do banco |
| LCI e LCA | Sim | Isentas de IR para pessoa física |
| LC (Letra de Câmbio) e LH | Sim | Menos comuns no varejo |
| Tesouro Direto | Não | Risco é do governo federal, não de um banco |
| Fundos de investimento | Não | Inclusive fundos de renda fixa |
| Ações, FIIs e ETFs | Não | Risco de mercado, não de depósito |
| Debêntures, CRI e CRA | Não | Risco é da empresa ou da securitizadora |
| Letras financeiras | Não | Títulos de valor alto, fora da garantia |
| Previdência privada (PGBL/VGBL) | Não | Regulada pela Susep, com outra estrutura |
O Tesouro Direto não ter FGC não significa que seja mais arriscado. O título público é uma dívida do governo federal, considerado o menor risco de crédito do país. É outro tipo de proteção. Veja mais em Tesouro Direto para iniciantes.
Um cuidado extra: saldo deixado em conta de pagamento de instituições de pagamento, que não são bancos, não tem cobertura do FGC. As regras do Banco Central exigem que esses recursos fiquem separados, aplicados em títulos públicos ou depositados no BC, mas é uma proteção diferente. Se o app oferece "render automático", confira se o dinheiro vira um CDB ou RDB de banco associado.
O limite é de R$ 250 mil por pessoa em cada instituição ou conglomerado financeiro. Conglomerado é o grupo de instituições ligadas a um mesmo controlador. Se um banco digital e uma financeira pertencem ao mesmo grupo, seus investimentos nos dois são somados e o teto é um só.
O valor garantido inclui o principal e os rendimentos, calculados até a data da intervenção ou liquidação. Ou seja, se você aplicou R$ 240 mil e o investimento cresceu para R$ 260 mil, a garantia para em R$ 250 mil.
Existe ainda um teto global: o FGC paga no máximo R$ 1 milhão por pessoa a cada período de 4 anos. Isso afeta quem espalha valores altos por muitas instituições pequenas. Se duas ou três delas tiverem problemas em sequência, a soma das garantias recebidas pode bater nesse teto, e o que exceder não será coberto.
Em contas e aplicações conjuntas, o limite de R$ 250 mil vale para a conta e é dividido igualmente entre os titulares. Uma conta conjunta de um casal com R$ 300 mil não vira R$ 500 mil de garantia: ela tem R$ 250 mil garantidos, R$ 125 mil para cada um. E essa parte soma com o que cada titular tem individualmente naquela mesma instituição.
Imagine a Carla, com os seguintes investimentos:
Se o conglomerado A e B sofrer liquidação, a Carla tem R$ 270.000 ali. O FGC paga R$ 250.000, e R$ 20.000 ficam descobertos, entrando na fila de credores da massa falida, sem prazo nem garantia de recuperação. O CDB no Banco C e o Tesouro Selic não são afetados por esse evento.
| Onde | Valor | Coberto pelo FGC | Fora da cobertura |
|---|---|---|---|
| Conglomerado A + B | R$ 270.000 | R$ 250.000 | R$ 20.000 |
| Banco C | R$ 60.000 | R$ 60.000 | R$ 0 |
| Tesouro Selic | R$ 50.000 | Não se aplica | Risco do governo federal |
Agora suponha que o Lucas aplique R$ 230.000 em um CDB prefixado de 2 anos a 12% ao ano, taxa hipotética. Depois de um ano, o valor bruto seria R$ 230.000 × 1,12 = R$ 257.600. No vencimento, R$ 230.000 × 1,12² = R$ 288.512.
Se o banco quebrasse no fim do primeiro ano, R$ 7.600 ficariam fora da garantia. No fim do segundo ano, R$ 38.512. Por isso, quem trabalha perto do limite costuma aplicar um valor inicial menor, pensando em quanto o investimento terá no vencimento.
Na prática, a sequência costuma ser assim:
O prazo varia caso a caso. Pode levar semanas. Durante esse tempo, o dinheiro não rende e não está disponível. É uma das razões para não concentrar a reserva de emergência inteira em uma só instituição, mesmo dentro do limite.
Atenção a golpes: o FGC não cobra taxa para liberar a garantia e não pede senha bancária. Desconfie de qualquer contato oferecendo "adiantar" o pagamento.
Algumas práticas ajudam bastante:
Para entender melhor como avaliar ofertas de CDB e onde o percentual do CDI entra nessa decisão, veja o que é CDB e como funciona e o que é CDI.
O Tobbo mostra, em modo somente leitura via Open Finance, as contas, caixinhas e aplicações que você tem em diferentes bancos, numa tela só. Assim fica mais fácil somar quanto está em cada instituição e perceber concentrações perto do limite do FGC. O Tobbo não é instituição financeira nem consultoria de investimentos, e a cobertura do FGC deve ser sempre confirmada nas fontes oficiais.
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição financeira ou conglomerado associado, somando principal e rendimentos até a data da intervenção ou liquidação. Há também um teto global de R$ 1 milhão a cada período de 4 anos para garantias pagas à mesma pessoa. Valores acima desses limites ficam sem cobertura e entram na fila de credores.
Não. Os títulos do Tesouro Direto são dívida do governo federal, e o risco é do Tesouro Nacional, não de um banco. Por isso não há cobertura do FGC. Isso não significa que sejam mais arriscados: títulos públicos federais são considerados o menor risco de crédito do país. A corretora apenas faz a custódia, e os títulos ficam registrados no seu CPF.
Não existe prazo fixo. Depois que o Banco Central decreta o regime especial, o liquidante precisa enviar a lista de credores ao FGC, que então abre o processo de pagamento pelos seus canais oficiais. Na prática, o processo pode levar semanas e, em casos mais complexos, mais tempo. Nesse período o dinheiro não rende, por isso é bom não concentrar a reserva em um lugar só.
Não. O limite de R$ 250 mil vale por conglomerado financeiro. Se duas instituições pertencem ao mesmo grupo controlador, os valores que você tem nelas são somados e a garantia total é de R$ 250 mil. Confira quem é o controlador de cada emissor antes de distribuir os investimentos achando que está diversificando.
Não. Em conta ou aplicação conjunta, a garantia é de até R$ 250 mil para a conta, dividida igualmente entre os titulares. Um casal com R$ 300 mil numa conta conjunta tem R$ 250 mil garantidos, R$ 125 mil para cada um. Essa parcela ainda soma com o que cada titular tem sozinho na mesma instituição.
Pode valer, se o valor ficar dentro do limite, já considerando os rendimentos até o vencimento, e se você aceitar a possibilidade de esperar pelo pagamento caso algo dê errado. Bancos menores costumam pagar taxas maiores porque precisam atrair recursos. Para a reserva de emergência, prefira instituições sólidas e liquidez diária, mesmo com taxa um pouco menor.
Equipe Tobbo
Revisão: Equipe editorial do Tobbo Finanças
Somos o time que constrói o Tobbo Finanças, um app de finanças pessoais e do casal, grátis para começar, com Open Finance. Escrevemos guias com base em fontes oficiais (Banco Central, Receita Federal, Tesouro Direto, B3, FGC) e em como as pessoas realmente lidam com dinheiro.
Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento nem consultoria individual. Regras, taxas e limites mudam: confira sempre a fonte oficial antes de decidir.
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