O que é CDI: como funciona e por que ele mede seus investimentos
Entenda o que é CDI, a relação com a Selic, o que significa render 100% do CDI e como comparar CDB, LCI e Tesouro com um exemplo em reais.
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Entenda o que é CDB, como funciona o rendimento pós, pré e IPCA+, quanto de imposto você paga, o papel do FGC e como escolher a liquidez certa.
Equipe TobboAtualizado em 9 min de leitura

CDB, ou Certificado de Depósito Bancário, é um título em que você empresta dinheiro a um banco e recebe juros em troca. Pode ser pós-fixado, prefixado ou atrelado à inflação, tem Imposto de Renda regressivo sobre o rendimento e conta com a garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição.
O CDB é provavelmente o investimento mais oferecido nos apps de banco. Aparece na tela inicial, nas caixinhas, nas notificações. Mesmo assim, muita gente aplica sem saber direito o que está comprando: quanto vai render, quando pode sacar, quanto de imposto vai pagar e o que acontece se o banco tiver problemas.
Essa falta de clareza custa caro de dois jeitos. Tem quem deixe o dinheiro parado na conta corrente por medo, perdendo para a inflação. E tem quem escolha o CDB de maior taxa sem perceber que só pode resgatar daqui a quatro anos, ou que o valor passou do limite de garantia.
Neste guia você vai entender o que é CDB, os tipos de rentabilidade, como funciona a liquidez, quanto de imposto incide, qual o papel do FGC e como comparar ofertas. Tem tabela e exemplo em reais com taxas hipotéticas, para você conseguir fazer a conta sozinho depois.
CDB significa Certificado de Depósito Bancário. É um título de renda fixa emitido por bancos para captar dinheiro. Quando você compra um CDB, está emprestando dinheiro ao banco. Ele usa esses recursos para fazer empréstimos e financiamentos a outros clientes, e em troca paga juros a você.
As regras do empréstimo ficam definidas na hora da compra:
Existe um primo muito parecido, o RDB (Recibo de Depósito Bancário). A diferença principal é que o RDB não pode ser negociado com outros investidores no mercado secundário. Para o investidor comum, o funcionamento, o imposto e a cobertura do FGC são semelhantes.
O rendimento acompanha um índice, quase sempre o CDI. Um CDB a "100% do CDI" rende a taxa do CDI do período. Se a Selic sobe, o CDI sobe e o CDB passa a render mais; se cai, rende menos. É o tipo mais usado para reserva de emergência, quando tem liquidez diária. Se o CDI ainda é um conceito nebuloso, o guia o que é CDI explica a régua por trás desses percentuais.
A taxa é fixa e conhecida desde o primeiro dia, por exemplo 12% ao ano (valor ilustrativo). Você sabe exatamente quanto terá no vencimento, antes do imposto. A vantagem é a previsibilidade. A desvantagem é que, se os juros do mercado subirem depois da compra, você continua recebendo a taxa antiga, e um resgate antecipado pode sair com desconto.
Paga a variação do IPCA, a inflação oficial medida pelo IBGE, mais uma taxa fixa. Por exemplo, IPCA + 6% ao ano (ilustrativo). Protege o poder de compra no longo prazo. Costuma ter prazos mais longos e pouca ou nenhuma liquidez antes do vencimento.
| Tipo | Você sabe o rendimento na compra? | Ganha com juros subindo? | Uso comum |
|---|---|---|---|
| Pós-fixado (% do CDI) | Não, só o percentual | Sim, o rendimento acompanha | Reserva, objetivos sem data |
| Prefixado | Sim, a taxa total | Não, fica com a taxa contratada | Objetivo com data definida |
| IPCA+ | Só a parte acima da inflação | Parcialmente, via inflação | Objetivos longos, aposentadoria |
Liquidez é a facilidade de transformar o investimento em dinheiro na conta. No CDB ela varia bastante, e é o ponto que mais causa arrependimento.
Alguns CDBs sem liquidez podem ser vendidos no mercado secundário pela corretora, mas não há garantia de comprador nem de preço. Em prefixados e IPCA+, o valor de venda antes do prazo depende dos juros do momento e pode ficar abaixo do que você esperava.
O CDB segue a tabela regressiva de Imposto de Renda da renda fixa. O imposto incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor que você aplicou, e é retido na fonte pelo banco. Você não precisa gerar guia nem pagar nada à parte.
| Tempo de aplicação | Alíquota de IR sobre o rendimento |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Além disso, resgates com menos de 30 dias pagam IOF regressivo sobre o rendimento, que começa alto e zera no 30º dia. Na prática, quase todo o rendimento dos primeiros dias pode ir embora em IOF. Detalhes e exemplos estão no artigo sobre Imposto de Renda na renda fixa.
Na declaração anual, o saldo do CDB é informado em Bens e Direitos e o rendimento resgatado entra como rendimento de tributação exclusiva. O banco envia o informe de rendimentos com os valores.
Suponha que você aplique R$ 5.000 em um CDB pós-fixado a 100% do CDI, com liquidez diária, e que o CDI fique em 10% ao ano durante todo o período. A taxa é hipotética e foi escolhida só para facilitar a conta. Para simplificar, usamos dias corridos; no cálculo real o CDI acumula por dias úteis e o resultado muda alguns centavos ou poucos reais.
| Prazo do resgate | Valor bruto | Rendimento bruto | Alíquota de IR | IR retido | Rendimento líquido |
|---|---|---|---|---|---|
| 90 dias | R$ 5.118,90 | R$ 118,90 | 22,5% | R$ 26,75 | R$ 92,15 |
| 180 dias | R$ 5.240,62 | R$ 240,62 | 22,5% | R$ 54,14 | R$ 186,48 |
| 365 dias | R$ 5.500,00 | R$ 500,00 | 17,5% | R$ 87,50 | R$ 412,50 |
| 730 dias | R$ 6.050,00 | R$ 1.050,00 | 15% | R$ 157,50 | R$ 892,50 |
| 1.095 dias | R$ 6.655,00 | R$ 1.655,00 | 15% | R$ 248,25 | R$ 1.406,75 |
Leitura rápida: em um ano, o ganho líquido foi de R$ 412,50, ou 8,25% sobre os R$ 5.000. A partir de 721 dias, o imposto cai para 15% e a fatia que fica com você aumenta.
Agora imagine um CDB prefixado a 12% ao ano (taxa ilustrativa) por 3 anos, com os mesmos R$ 5.000 e liquidez só no vencimento. O cálculo é R$ 5.000 × 1,12 × 1,12 × 1,12 = R$ 7.024,64. O rendimento bruto é R$ 2.024,64. Com IR de 15%, são R$ 303,70 de imposto, e sobram R$ 1.720,94 de ganho líquido.
Essa conta só vale se você ficar até o fim. Se precisar do dinheiro antes, pode não conseguir resgatar ou ter que vender com desconto. E ela só é melhor que o pós-fixado se o CDI médio do período ficar abaixo de 12%, algo que ninguém sabe com certeza no dia da compra.
O CDB é coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos. Se a instituição emissora quebrar ou sofrer intervenção do Banco Central, o FGC garante até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado financeiro, somando principal e rendimentos dentro das regras. Existe também um teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos para as garantias pagas a uma mesma pessoa.
Isso não quer dizer que todo risco some. O pagamento do FGC leva algum tempo, e o valor que passar do limite pode ser perdido ou demorar muito para ser recuperado. Se você tem valores altos, dividir entre conglomerados diferentes é uma prática comum. O guia sobre como funciona o FGC mostra exemplos com casais e contas conjuntas.
Para decidir onde fica o dinheiro de emergência especificamente, veja onde guardar a reserva de emergência.
O Tobbo reúne, em modo somente leitura via Open Finance, as aplicações e caixinhas que você tem em diferentes bancos. Assim fica mais fácil ver quanto está em cada instituição e perceber quando um conglomerado concentra valores perto do limite do FGC. O comparador de CDB calcula o rendimento líquido em reais para prazos e percentuais diferentes. O Tobbo não é banco nem consultoria de investimentos: a decisão é sempre sua.
O CDB é considerado de baixo risco quando o valor fica dentro da cobertura do FGC, que garante até R$ 250 mil por CPF por instituição ou conglomerado, com teto de R$ 1 milhão a cada 4 anos. O risco existe, porque depende da saúde do banco emissor, mas a garantia reduz muito a chance de perda para valores dentro do limite.
Depende do percentual do CDI, do valor do CDI e do prazo. Num exemplo hipotético com CDI de 10% ao ano e CDB a 100% do CDI, R$ 1.000 renderiam cerca de R$ 100 brutos em um ano. Com IR de 17,5%, ficariam R$ 82,50 líquidos. Para saber o valor atual, confira a taxa DI na B3 e simule com a taxa vigente.
A poupança é isenta de IR para pessoa física e rende 0,5% ao mês mais TR quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, ou 70% da Selic mais TR quando está igual ou abaixo. Ela só rende no aniversário mensal. O CDB paga IR, mas rende todo dia útil e, com percentual perto de 100% do CDI, costuma superar a poupança quando a Selic está alta.
Só se ele tiver liquidez diária ou se a carência já tiver passado. CDBs com liquidez apenas no vencimento travam o dinheiro até a data final. Alguns podem ser vendidos no mercado secundário pela corretora, mas sem garantia de comprador e com preço que pode ficar abaixo do esperado. Confira a data de resgate antes de aplicar.
Serve, desde que seja de instituição coberta pelo FGC, com rendimento perto de 100% do CDI e resgate em qualquer dia útil. Essas características juntam segurança, acesso rápido e rendimento razoável. Evite CDBs com carência ou vencimento longo para a reserva, mesmo que paguem mais, porque o objetivo do dinheiro é estar disponível quando o imprevisto chegar.
Sim, se você estiver obrigado a declarar. O saldo em 31 de dezembro vai em Bens e Direitos, e os rendimentos resgatados no ano entram como rendimentos de tributação exclusiva, já que o IR foi retido na fonte. O banco ou a corretora envia o informe de rendimentos com os valores. Confira as instruções atualizadas no site da Receita Federal.
Equipe Tobbo
Revisão: Equipe editorial do Tobbo Finanças
Somos o time que constrói o Tobbo Finanças, um app de finanças pessoais e do casal, grátis para começar, com Open Finance. Escrevemos guias com base em fontes oficiais (Banco Central, Receita Federal, Tesouro Direto, B3, FGC) e em como as pessoas realmente lidam com dinheiro.
Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento nem consultoria individual. Regras, taxas e limites mudam: confira sempre a fonte oficial antes de decidir.
Entenda o que é CDI, a relação com a Selic, o que significa render 100% do CDI e como comparar CDB, LCI e Tesouro com um exemplo em reais.
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Entenda como funciona o FGC, o limite de R$ 250 mil por CPF e instituição, o teto de R$ 1 milhão, o que é coberto e como distribuir seus investimentos.
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